terça-feira, 17 de maio de 2011

Ouro no Brasil


Fonte:historiavivi.blogspot.com



video

Fonte: Prof. Clides Moraes, enviado por Natelaurie em 19/03/10

A partir de 1693, os bandeirantes Paulista encontraram abundantes jazidas de ouro próximo às atuais cidades de Sabará, Caeté e Ouro Preto em Minas Gerais. As descobertas iniciais foram do ouro de aluvião nos vales dos rios das Morte e Doce. Assim que a notícia se espalhou, milhares de pessoas das mais variadas origens e condições sociais rumaram para lá em busca de riquezas. As descobertas de 1693-1694 de imediato tornaram o Brasil o maior produtor mundial de ouro da época. A massa humana que se dirigiu às minas entre 1700-1720 foi superior a 150 mil pessoas, das quais mais de cem mil eram escravos. Parte da população do litoral  deslocou-se para o interior. Eram  milhares de novos habitantes que precisavam de tudo: alimentos, roupas, gado, cavalos, mulas, produtos europeus e escravos, muitos escravos para trabalhar nas minas. A região  não possuía infraestrutura para receber tantas pessoas. Não havia alimento suficiente nem estradas, apenas trilhas precárias para abastecer a multidão recém-chegada. Além da fome, todo tipo de contravenção, principalmente assassinatos e roubos, ocorria na busca por melhores áreas de garimpo. Dessa forma, a mineração favoreceu o surgimento de centros urbanos e, consequentemente, de uma sociedade mais dinâmica em relação à sociedade canavieira.       http://www.youtube.com/watch?v=h7wYM3uPUYM&feature=related       

No século XVII, surge núcleos urbanos que deram origem a cidades dinâmicas com um ativo mercado consumidor. As vilas e cidades de Minas Gerais tinham uma maior mobilidade social que a de outras regiões da colônia, apresentando novos sujeitos e diferentes relações sociais.


vendedores de capim e leite de Jean B.Debret.Fonte:hemi.nyu.edu
 Sociedade mineradora

A base da sociedade, assim como em todo o Brasil colonial, eram os africanos escravizados. Chegando a cerca de 70% da  população total em 1742. Tamanha desproporção entre negros escravizados e brancos livres gerava violenta repressão. Qualquer tipo de de desobediência ou revolta nas minas era punido com castigos severos, como espancamentos públicos ou, em caso extremos, a morte seguida da exibição da cabeça decepada  doescravo,fincada em uma estaca.
Os escravos alimentavam-se basicamente de angu e feijão. Aguardente e tabaco também eram fornecidos a eles, até mesmo para compensar a alimentação deficiente e garantir sua possibilidade de continuar trabalhando.
 As fugas e a formação de quilombos eram constantes. Calcula-se que  nas Minas havia cerca de 160 quilombos no século XVIII. Conforme Laura de Mello e Souza, em sua obra Opulência e miséria das Minas Gerais, dois quilombos se destacaram: o Quilombo do Ambrósio e o Quilombo Grande, ambos destruídos pelo governo. Alguns historiadores acreditam que as condições de trabalho dos escravos das minas eram diferentes daquelas da região açucareira: além de terem os domingos para trabalhar para si, podiam também trabalhar por jornal, isto é, recebiam uma porcentagem do que produziam numa jornada de trabalho. Com isso, muitos conseguiam amealhar boas quantias, que eram utilizadas para comprar a alforria, processo conhecido nas Minas como coartação. Havia os escravos de ganho, que muitas vezes conseguiam acumular dinheiro vendendo produtos e prestando serviços para comprar sua liberdade. Alguns escravos eram alugados por seus donos para trabalharem tanto para particulares como para o governo. Em razão da natureza de determinadas atividades, muitos escravos circulavam livremente nas ruas e nas lavras, podendo assun, conseguir ganhos com os quais, até poderia, algumas vezes, comprar suas cartas de alforria. Era a chamada "brecha urbana" 



Mulheres vendendo na rua.Fonte: hemi.nyu.edu



Trabalho feminino nas minas



Gravura que mostra uma "negra de tabuleiro" vendendo. Fonte: maniadehistoria.com.ming.

  As mulheres livres e que pertenciam aos grupos médios e inferiores da sociedade tinham uma vida muito dura e enfrentavam muitos preconceitos. Muitas encontraram na prostituição a única forma de sobrevivência. Outras concubinavam-se, visto que o casamento tradicional era algo dificil, fosse pelos custos ou pela demanda dos papéis (que muitas vezes tinham de vir de Portugal).
A luta pela sobrevivência obrigava também as mulheres forras (libertas) ou escravas a uma jornada de trabalho bastante árdua: eram criadas domésticas, lavadeiras, parteiras, cozinheiras, doceiras, tecelão, costureiras, etc. Parte do fruto do trabalho de cozinheiras, doceiras e quituteiras era comercializada nas ruas de vilas e cidades e nas lavras, locais onde se concentrava um grande número de trabalhadores. Essas mulheres eram conhecidas como "negras de tabuleiro". As mulheres vendedoras ambulantes, sofriam pressões das autoridades, porque suspeitava-se que ajudavam os escravos a contrabandear ouro; as que trabalhavam em vendas porque as autoridades viam tais locais como focos de revoltas, brigas e crimes.

Homens livres e pobres

Surge na atividade mineradora uma camada pobre, que não pertencia nem aos escravos, nem à camada média. Eram os "desclassifcados". Eram os escravos libertos, mulatos, brancos pobres, indígenas aculturados, todos atraídos pela ilusão do ouro, sem porém encontrá-los, tornavam-se trabalhadores do comércio e agricultura. Alguns buscavam  no contrabando e roubo ganho ganho fácil.
Havia também a prostituição e a interceptação de pepitas de ouro pelas negras de tabuleiro. Estas, ao levar quitutes para vender nas lavras, podiam esconder pepitas de ouro extraídas pelos escravos.

A camada média ou intermediaria

Eram os brancos e mestiços das mais variadas profissões, o que denota que havia certa mobilidade social. Pequenos comerciantes, tropeiros e mineradores, que faiscavam nos rios com dois a cinco escravos, pequenos agricultores, artesãos e artistas.

A camada dominante

Mineradores ricos que, para explorar suas minas, possuíam inúmeros escravos; grandes comerciante de alimentos e de manufaturados; tropeiros que abasteciam as minas de bois, vacas, cavalos e burros do sul da colônia e os grandes fazendeiros donos de muitas terras e que detinham o poder político local. E, por último os contratadores de diamantes de Diamantino (atual Diamantina, MG),detinham a exclusividade na extração do diamante  e lidavam  diretamente com o rei de Portugal.

Os intelectuais

Na segunda metado do século VXIII, formou-se em Minas Gerais uma elite letrada composta principalmente por pessoas ricas que estudaram nas universidades européias. Eram os advogados, médicos, engenheiros, além de poetas e escritores, que  mais tarde passam a contestar o poder da metrópole, influenciados por ideias liberais européias.

O papel das irmandades

D. João V, proibiu as ordens religiosas  ingressarem na região das minas. Isso fez surgir associações religiosas leigas: as irmandades. Eram católicos que não pertenciam ao clero,cujo objetivo era a caridade. Tornaram-se grandes  patrocinadoras de catedrais, ajudando no surgimento de grandes artistas. Elas eram formadas por pessoas de diferentes grupos sociais. como a da Irmandade Nossa Senhora do Rosário dos homens pretos, que congregava escravos e muitas vezes juntavam dinheiro para alforriar seus membros.


Técnicas de mineração

Muitas técnicas de exploração do ouro foram trazidas pelos africanos que já as conheciam e utilizavam na África.

1. A bateia:  era uma gamela afunilada, de madeira ou metal. Com movimentos circulares, eliminava-se a areia e o cascalho pelas suas bordas, enquanto o ouro, mais denso, acumulava-se em seu fundo. Os escravos trabalhavam com água pelos joelhos nos leitos dos rios durante muitas horas por dia , em água fria e o sol queimando suas costas nuas
2. O almocafre: era uma espécie de enxada pontiaguda usada para escavar o leito dos rios e extrair o cascalho aurífero. Essa forma de extração conhecida como faiscação era intinerante.O ouro de aluvião era encontrado nos depósitos de areia, argila e cascalho que se formam nas margens dos rios. Por ser sua forma de extração muito simples e não exigia grandes investimentos, era muito praticado. As reservas de ouro de aluvião, no entanto, logo se esgotavam.
3. O ouro das rochas:  era o de mais difícil exploração pois demandava escavações.

Centros abastecedores da região mineira 

Os habitantes de Minas Gerais organizaram suas atividades principalmente em torno do ouro, fazendo surgir uma série de núcleos urbanos ou vilas próximas umas das outras, como Vila Rica (Ouro Preto), Congonhas do Campo, Ribeirão do Carmo (Mariana), Sabará e São João del Rei. Toda vila deveria ter um aparato administrativo básico, controlado pela Coroa: a Câmara Municipal, a cadeia, o pelourinho, funcionários e igrejas. Nesse núcleo urbano a metrópole tinha forte presença, inclusive nos impostos. Com o tempo, uma vila poderia torna-se uma cidade.
A exploração mineira favorecei também o desenvolvimento da atividade comercial na região, que se tornou um excelente mercado comprador de alimentos, roupas, ferramentas e outros produtos, fornecidos por inúmeros comerciantes de Portugal e da própria colônia. Assim, quase todas as partes da colônia passaram a se comunicar, incluindo o Amazonas, o sertão nordestino, Bahia, Rio de Janeiro, São Paulo, Rio Grande do Sul e até o Rio da Prata. A crescente importância econômica do Centro-Sul levou a metropóle a transferir a capital da colônia, de Salvador para o Rio de Janeiro em 1763.
O Rio de Janeiro fornecia escravos africanos e muitos produtos europeus. São Paulo fornecia milho, trigo, marmelada e frutas. O Rio Grande do Sul, gado, cavalos e mulas negociados na feira de Sorocaba. A Bahia gado, produtos europeus e principalmente escravos. A economia mineradora articulou pela primeira vez a porção nordeste da Colônia - gado e escravo -, ao  sul, que abastecia minas com farinha de trigo, milho, frutas, marmelada, toucinho, mulas e gado bovino



Tropeiros e comerciantes



Tropeiros Pobres de São Paulo de Jean Debret,1823.Fonte:imagenshistoricas.blogspot.com
 Foi a constituição de um mercado interno que impulsionou a criação de gado em todo os sul do Brasil. Ali, desde a época das missões jesuíticas, os campos gerais, vasta região que compreendia os planaltos do Paraná e de Santa Catarina e os pampas do Rio Grande do Sul. Dois grandes fatores contribuíram para o aproveitamento das reses selvagens e a expansão da pecuária no sul. Em primeiro lugar, a forte demanda proviniente das Minas Gerais. Os tropeiros levavam consigo, além  de gados e mulas, ( havia preferencia pelas mulas por ser animal resistente e adquados ao terreno acidentado), alimentos como charque açúcar, toucinhos, peles, couro, ferramentas e produtos importados. O gado era comercializado na grande feira realizada entre maio e agosto em Sorocaba (SP).
Os tropeiros levavam para as Minas o "feijão tropeiro", feijão cozido com toucinho e misturado com charque e farinha. É um prato típico, encontrado ainda em todo o Estado.
Além de contribuir para o abastecimento das minas, o tropeiro impulsionou o povoamento do sul, até então, praticamente abandonado. Nos locais de parada das tropas, ranchos, pousos, fazendas, povoações e pequenos núcleos de comércio foram se estabelecendo e, posteriormente deram origem a vilas como Viamão, Lages, Lapa eCastro.

Fonte: peregrinacultural.wordpress.com
 As viagens dos tropeiros duravam vários meses e a jornada diária começava sempre ao nascer do Sol. Com as mulas carregadas, eles percorriam estradas e trilhas, atravessando rios, serras e campinas.
A tropa era guiada pelo fronteiro, encarregado de manter a expedição na rota correta. Em seguida, vinha o dono da tropa, que determinava o ritmo da jornada, procurando evitar o desgaste das mulas. Havia também também os peões tocadores que, por meio de gritos e assobios, mantinham o ritmo da marcha e tentavam evitar que algum animal se desgarrasse da tropa.
Essas viagens eram muito arriscadas, pois os tropeiros podiam ser atacados por animais selvagens e, também, por ladrões. Além disso, em algumas regiões, havia grupos indígenas que não permitiam que as tropas atravessassem seu território.
Ao viajarem de uma região à outra, os tropeiros muitas vezes abriam novos caminhos, aumentando o escoamento de mercadorias e criando redes de comunicação entre diferentes regiões da Colônia. Percorrendo caminhos que iam do extremo Sul ao Nordeste, do Mato Grosso até o Rio de Janeiro e outras regiões, eles contribuiram para a integração do território brasileiro.


As monções



Fonte:portalmultirio.rio.rj.gov.br
 .Para abastecer as regiões de mineração em Mato Grosso e Goiás, descobertas pelos bandeirantes no começo do século XVIII, foram organizadas expedições que ficaram conhecidas como monções. Os monçoeiros viajavam pelos rios em grandes canoas, cada uma delas com capacidade para transportar cerca de 20 pessoas, além das mercadorias que eram levadas para serem trocadas por ouro nas regiões mineradoras. Geralmente partiam de Porto Feliz, na margem do rio Tietê (SP), e chegavam até o rio Cuiabá (MG).

A administração das minas: muitos impostos
O controle da exploração pela coroa


A riqueza das minas pertencia à Coroa portuguesa, que concedia lotes (datas) aos mineradores para a exploração do ouro. O trabalho nesses lotes era realizado por escravos, em locais denominados lavras. Vendo no ouro a possibilidade de melhorar sua economia, Portugal organizou um forte esquema de controle sobre a região das minas.
Para administrar a região mineradora, a metrópole criou, em 1702, a Intendência das Minas, subordinada diretamente a Portugal, e não às autoridades coloniais. A Intendência controlava de perto a exploração aurífera. Era responsável pela distribuição dos lotes a serem explorados, denominados datas - que variavam de acordo com o número de escravos do minerador -, e pela cobrançã do quinto - imposto de 20% sobre o ouro encontrado.
O contrabando, contudo, era intenso. Para coibi-lo, a Coroa criou, em 1720, as Casas de Fundição. A partir de então, todo ouro encontrado nas minas ou nos garimpos deveria ser fundido em barras, tornando-se proibida a circulação do ouro em pó e em pepitas, formas mais fáceis de esconder e contrabandear. No momento de fundir o ouro, já era extraído o quinto pertencente à Coroa. O pagamento era comprovado pelo selo real, que certificava a cobrança do quinto. Era o chamado ouro quintado. Quem fosse encontrado portando ouro em pó ou em barras não quintadas poderia sofrer penas severas, que iam desde a perda de todos os bens até o exílio perpétuo em colônias portuguesas na África. Mais tarde a Coroa passou a cobrar um novo tributo: a capitação, que incidia sobre o número de escravos acima de 12 anos, produtivo ou não. O minerador que não possuísse escravos pagava uma taxa sobre si mesmo. A capitação, que veio substituir as Casas de Fundição, englobava também, lojas, hospedarias e oficinas. Quem não pagasse teria bens confiscados. As revoltas e os protestos levaram a Coroa a extinguir a capitação e reinstituir as Casas de Fundição.
Portugal insasiável por ouro, pois devia a Inglaterra muito mais do que podia pagar, além do imposto sobre o ouro extraído, instituiu outros, como os "direitos de entrada", que incidiam sobre a entrada de produtos que vinham de fora da região das minas; os "direitos de passagem", uma espécie de pedágio cobrado na passagem de alguns rios; e dízimos para a igreja.
Para dificultar mais ainda o ministro Marquês de Pombal determinou novas regras e aumento de impostos. Instituiu o pagamento de cotas de 100 arrobas anuais de ouro (arroba é uma unidade de medida de peso equivalente a cerca de 15 quilos). Portanto, a região das minas deveria pagar, em conjunto, o equivalente a 1500 quilos de ouro, arrecadados das Casas de Fundição.
Esse sistema funcionou até 1760. Entretanto, ano a ano, a produção aurífera decrescia e a cota anual nunca era alcançada. Pombal instituiu, então, a derrama, cobrança de todos os impostos impostos atrasados. Era feito por soldados metropolitanos autorizados a invadir casas e confiscar bens e propriedades, até  completar o valor correspondente às  100 arrobas. A medida provocou conflitos e insatisfações na colônia. Faltava pouco para que os mineiros se insurgissem naquela que ficou conhecida como Conjuração Mineira


Carlos Julião.Mineração de Diamantes.Séc.XVIII.Óleo sobre tela.Fonte:librarykiwix.org
 Diamantes

A descoberta de diamantes no Arraial do Tijuco, atual Damantina(MG), por volta de 1720, onde, inclusive, já havia ouro, foi motivo de muita comemoração.  Portugal decidiu, em 1729, criar o Distrito Diamantino. Delimitou a região em torno do distrito, suspendeu a mineração no seu interior, cancelou todas as doações de terras feitas anteriormente, proibiu o ingresso de ordens religiosas regulares e de aventureiros e criou o monopólio real sobre a extração de diamantes.Gerou uma implacável fiscalização e repressão na região para evitar o contrabando das pedras. Em 1734, a área foi demarcada, com sede no  Arraial do Tijuco. Portugal procurou proteger a região ferozmente. Não podiam entrar negros e pardos livres; foram fechadas tabernas e vendas; comerciantes foram expulsos. Ninguém entrava ou saia sem autorização. Tudo isso para garantir a ordem e, principalmente, evitar o contrabando. O Estado português criou uma estrutura de exploração diferente, que consistia em arrendar a área a interessados de origem portuguesa, os contratadores. Eles deveriam pagar antecipadamente à Coroa uma parcela dos lucros, em troca de explorar com plena autonomia toda a região, fechada à entrada de novos exploradores. 
O enriquecimento dos contratadores aumentava seu poder na colônia, o que obrigou Portugal a modificar o sistema de exploração. Depois de retirar os contratadores da área, o próprio governo instituiu a Real Extração - órgão estatal encarregado da prospecção de diamantes -, conduzida por funcionários da Coroa. Também criou a Intendência dos Diamantes, orgão que tinha amplos poderes sobre a população do Distrito Diamantino. Seus fiscais podiam, por exemplo, confiscar bens e controlar a entrada no distrito e a saída dele.
 Entretanto, como forma de burlar as proibições e a intensa tributação, proliferaram as minerações clandestinas, chamadas de garimpos, nos quais o contrabando e o extravio de diamantes eram constantes.
Pesquisas recentes indicam que teriam sido extraídos, aproximadamente, 3 milhões de quilates de diamantes (cerca de 615 quilos, entre pedras legalmente extraídas e as do garimpo clandestino). Essas descobertas, somadas à produção aurífera, injetaram grandes recursos na economia portuguesa, a qual, apresentava uma difícil situação na segunda metade do século XVII, em grande parte devido ao declínio da agromanufatura açucareira. 

Revolta nas minas


Representação do julgamento de Felipe dos Santos. Fonte:historiadetudo.com
 Com a criação das Casas de Fundição e com o monopólio de comerciantes portugueses sobre produtos essenciais, setores da sociedade, em 1720, de Vila Rica, atual Ouro Preto, revoltaram-se contra o governo. Eles acreditavam que as Casas de Fundição dificultava a circulação e o comércio do ouro dentro da capitania, facilitando apenas a cobrança de impostos. Tal descontentamento acabou provocando a eclosão da chamada Revolta de Vila Rica, em 28 de junho de 1720.
Eram cerca de 2 mil revoltosos, e pretendiam a diminuição dos impostos e do preço dos alimentos, além do fim das Casas de Fundição. Esse grupo - composto de donos de grandes lavras(grandes unidades de exploração de ouro,com mão de obra escrava), e de parte da população, incluindo centenas de escravos armados por seus senhores .
Entre os revoltosos, estava um rico tropeiro de origem portuguesa  Felipe dos Santos, reconhecido  pelo governo como principal lider do movimento. Os revoltosos conseguiram dominar Vila Rica por alguns dias. Apanhado de surpresa, o governador fingiu aceitar as exigências e prometeu acabar com as Casas de Fundição, ganhando tempo para organizar suas tropas e reagir energicamente.
Soldados foram enviados do RJ para sufocar a revolta, e a repressão portuguesa foi violenta: os lideres do movimento foram presos, e Felipe dos Santos foi condenado, enforcado e esquartejado em praça pública, em 16de julho de 1720.  Além de manter as Casas de Fundição, o governo português resolveu desmembrar a região de Minas Gerais da capitania de São Paulo, para melhor controlá-la.


A Guerra dos Emboabas

As pessoas que chegavam à região das minas entraram em choque com os Paulista, que, por terem sido os descobridores, julgavam-se no direito de explorar o ouro sozinhos. Entretanto, muitos portugueses vindos da metrópole ou de outras partes da própria colônia também queriam apoderar-se das jazidas descobertas. A tensão cresceu quando portugueses passaram a controlar o abastecimento de mercadorias para a região das minas.  Ocorreram, então, entre paulista  e portugueses, conflitos violentos que ficaram conhecidos como Guerra dos Emboabas. O termo emboaba era usado de forma injuriosa pelos paulista para designar os "forasteiros", "pessoas que vem de outras regiões" (lusitanos, baianos, pernambucanos), Por sua vez, esses forasteiros chamavam os paulistas de bandoleiros sem lei.
Um dos principais chefes dos emboabas foi Manuel Nunes Viana, pecuarista e comerciante da região do rio São Francisco que liderou tropas contra os paulistas, vencendo-os em Sabará e Cachoeira do Campo. O conflito teve fim em 1709, em um local que ficou conhecido como Capão da Traição, quando muitos paulistas foram mortos por tropas de emboabas. Entre os resultados desse conflito temos: Maior presença da metrópole, com firme controle administrativo e fiscal; elevação da vila de São Paulo à categoria de cidade; e descoberta de ouro pelos Paulistas próximo a Cuiabá (MG), em1718, e em uma região localizada no atual estado de Goiás, em 1725, região pertencentes na época à Capitânia de São Paulo.

Para onde foi tanta riqueza?

A produção aurífera brasileira foi bastante significativa nos primeiros 60 anos do século XVIII. Nesse período, calcula-se que o Brasil produziu mais ouro do que toda a América espanhola em quase quatro séculos. Acredita-se que a quantidade do metal extraída da colônia portuguesa nesse período foi de cerca de 50% de toda a produção mundial entre os séculos XV e XVIII. E então com quem ficou o ouro brasileiro?
Com certeza toda essa riqueza não ficou na colônia nem foi utilizada para seu desenvolvimento. É inegável que a região das minas apresentou vigor econômico e cultural, como mostram as ruas, os templos e os edificios construidos. Ma isso representa uma parte pequena da produção total das minas.
Se Portugal não conseguiu resolver totalmente seus problemas financeiros, bastantes sérios, principalmente após o dominio espanhol (1640) e nunca conseguiu sair de sua dependência da Inglaterra.
Muitos historiadores acreditam que a  atividade mineradora no Brasil acelerou o desenvolvimento do capitalismo europeu, já que toneladas de ouro foram levadas para a Europa, por intermédio de Portugal, na forma de impostos ou pagamento pelos diversos produtos importados, especialmente os manufaturados ingleses.
Os termos do Tratado de Methuen, assinado em 1703 com os ingleses e conhecidos como "tratado dos panos e vinhos", inviabilizaram o desenvolvimento industrial em Portugal, ao obrigá-lo a importar produtos manufaturados da Inglaterra por preços elevados, o governo português estava sempre em dívidas. Diante de suas dificuldades econômicas, o governo português utilizava boa parte do ouro brasileiro para pagar as dívidas desse comércio. Na Inglaterra, as riquezas obtidas do império português impulsionaram o  seu desenvolvimento econômico.
"Algo semelhante ocorria com a Espanha. Endividada, transferia a prata extraída na América a grandes banqueiros estrangeiros. Como, da mesma forma que Portugal, os espanhóis não investiram na produção manufatureira interna, ampliava-se sua dependência de produtos externos. E era, em grande medida, o fluxo de metais preciosos da América que sustentava essas importações."